A tal da coxinha é complicada. Não é
fácil imaginar algum alimento que se compare ao sabor dessa danada! Essa
textura exuberante, estilo violão pontiagudo, que remete a uma resplandecência
nos quesitos cor atraente e beleza externa... Ah, como eu quero uma coxinha!
O
problema é que, geralmente, seu preço sai caro. Ainda mais nesses restaurantes
de viagem que a gente para pra jantar. Numa ida minha a São Paulo, perguntei
pro atendente:
- Moço, quanto custa a coxinha?
E,
com olhar de esperança e alegria, respondeu-me:
- Oito reais... Quer uma?
Cair
pra trás foi pouco pra descrever esse momento. É como se você estivesse sendo
assaltado, tendo que escolher entre a sua vida e a da sua mãe. Oito reais? Que isso?!
Fiquei indignado. Só que, se você parar para pensar, uma coxinha é uma coxinha
e deve ser respeitada como tal! Pra que julgá-la por ser tão gostosa? Sua
delícia compensa seu preço. Respondi:
- Sim, me dá uma de carne, por favor!
- Beleza, só um momento, que eu vou esquentar ela
pra você...
Fiquei
ansioso e exaltado. Há quanto tempo não comia uma coxinha? Uns três dias? É,
por aí...
A
coxinha estava quente. Fiquei atraído pelo seu cheiro e quase virei de
ponta-cabeça por conta da sua preciosidade. Peguei o prato com a delícia
estampada e fui pra mesa, pedindo que o garçom me servisse um pouco de café
preto. Sentei-me e ele me serviu. Comi a coxinha como se estivesse morrendo de
fome ou coisa do tipo. Aqueles pedaços maravilhosos feitos de ouros comestíveis
se entrelaçavam com a minha língua e formavam um romance com os meus dentes.
Foi assim até que só vi o guardanapo e a xícara vazia.
Mas
não pense você que a história acabou... Não, está recém-começando! Puxei a
minha carteira do bolso traseiro pra pagar o que devia ao moço e a decepção
tomou conta do meu eu: só tinha dez reais. Perguntei ao moço quanto custava o
que tinha comido e ele me respondeu:
- Oito reais da coxinha com três do café... Onze
reais!
Outra
queda livre. Como ia pagar, sabendo que faltava um real? Pechinchei um
desconto:
- Moço, agora que eu vi que só tenho dez reais. Você
não me dá um desconto?
- Infelizmente não posso, não sou o dono daqui.
I think I’d have a heart attack, com as
mesmas palavras que Demi Lovato usou na sua música heart attack. O que eu iria fazer? Tentei propina, mas não deu
muito certo. Prometi lavar os objetos usados, mas também não deu. Foi a maior
tensão da minha vida! O ônibus estava prestes a me deixar e ninguém queria me
emprestar um real.
- Vamo logo, cara, o pessoal quer ir embora!, gritou
o motorista.
- Já vai, só um minuto!, gritei de volta.
Puxei
os dez reais da carteira, coloquei em cima do balcão e disse:
- Obrigado por me emprestar um real. Te devolvo na
volta!
O
atendente, sem entender, ficou me olhando enquanto eu saía de boa pela porta. A
reação dele, qualquer um teria, afinal, eu não pedi se ele me emprestava um
real. Entrei no ônibus e fomos embora, como se nada tivesse acontecido. Olhei
pela janela e não vi ninguém correndo atrás. Pensei “Menos mal, nem vieram
atrás, hehe”. Olhei para a moça ao meu lado que, por sinal, estava comendo uma
coxinha de carne. Sabe o que aconteceu? Ela tinha comprado coxinha. Mas não era
nem uma, nem duas. Eram TRÊS coxinhas e então me ofereceu uma delas:
- Eu não vou vencer comer três. Quer uma?
- De graça?
- Sim, claro!
Foi
o melhor dia da minha vida. Começamos a namorar ali mesmo e já lhe pedi em
casamento. Hoje completamos dez anos de amor e bondade. O nome dela? Você já
sabe: Coxinha.
Faça-me o favor, casar-se com uma coxinha?
Quem é louco a esse ponto? Eu. E repetiria a mesma cena, só pra revê-la
feliz. Amor platônico não é pra mim. Prefiro o tipo de amor que encha o bucho e
que me sustente até meu último suspiro. Quem somos nós sem coxinha?
Referência da imagem (link de pesquisa): < www.assimsefaz.com.br >
ResponderExcluirLindaaaa crônica amigo, também tenho um caso de amor e ódio com coxinha!!!
ResponderExcluirOi Ale! Adorei!
ResponderExcluir